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Minas deve receber US$ 13,2 bi em aportes

Projeção do Ibram compreende o período entre 2020 e 2024

Dos US$ 38 bilhões previstos em investimentos no setor mineral brasileiro de 2020 a 2024, US$ 13,2 bilhões serão alocados em Minas Gerais. Os dados são do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que a partir dos projetos divulgados pelas mineradoras com atuação no País, elevou a projeção de aportes no setor em cerca de 10% frente ao estimado no começo do ano passado, em US$ 34,5 bilhões para o período.

Apesar de o Estado, historicamente maior produtor mineral do País, ter perdido a liderança na produção nacional para o Pará, com desempenho puxado pelo minério de ferro, os aportes ainda são maiores em terras mineiras por uma série de fatores. Entre os motivos destaca-se, por exemplo, o volume de projetos em desenvolvimento ou em operação em Minas Gerais.

Além disso, o montante inclui aproximadamente US$ 2 bilhões para recuperação e descomissionamento de barragens de rejeitos e outras providências relacionadas à segurança das estruturas de rejeitos da mineração. A maior parte deste valor será aportada pela Vale em Minas Gerais, já que a companhia ainda vai desativar oito barragens no Estado.

Os US$ 13,2 bilhões previstos para Minas Gerais representam 35% do total a ser aportado no setor brasileiro nos próximos anos e na avaliação do presidente do Conselho Diretor do Ibram, Wilson Brumer, ocorrerão de maneira mais diversificada do que no restante do País. É que dos US$ 38 bilhões, a Bahia aparece logo em seguida com US$ 10,5 bilhões ou 28% e o Pará com US$ 8,8 bilhões (23%). Os outros estados somam US$ 5,5 bilhões (14%).

“O que Minas tem de mais importante neste momento é a diversificação da mineração. Estamos falando de ferro, fertilizantes, ouro, bauxita, lítio, nióbio, quartzito e calcário. Essas substâncias possuem menor representatividade em volumes, mas são materiais importantes para o futuro da mineração, como é o caso de nióbio ou do lítio, por exemplo”, explicou.

Especificamente sobre o minério de ferro, Brumer avaliou que os investimentos vêm despontando em outros estados, como é o caso da Bahia e que em termos de produção, o Pará já assumiu o primeiro lugar nacional. Porém, o representante do setor acredita que Minas ainda possui chances de recuperar sua posição de vanguarda na mineração. “A Samarco voltou a operar e teremos números melhores para Minas Gerais em 2021”, exemplificou.

Fonte: ANM, elaboração Ibram

Desempenho – Por falar em desempenho, o balanço do Ibram trouxe também que em 2020 o faturamento do setor chegou a R$ 209 bilhões, crescimento de 36% sobre os R$ 153 bilhões apurados em 2019. Minas Gerais representou 37% do total, uma vez que o aumento das receitas do setor foi de 31% no Estado, saindo de R$ 58,2 bilhões para R$ 76,4 bilhões de um exercício para o outro.
Em volume, a produção comercializada cresceu 2,5%, passando de 985 milhões de toneladas de minérios para 1 bilhão de toneladas estimadas.

De acordo com o diretor-presidente da entidade, Flávio Penido, o resultado foi impulsionado principalmente pela desvalorização do real frente ao dólar e alta nos preços de commodities. “O setor foi altamente beneficiado pela variação de preços de importantes commodities e também pela própria situação do real perante o dólar”, comentou.

Penido destacou também que de janeiro a setembro de 2020, o setor contratou cerca de 5 mil trabalhadores. Número bastante representativo, uma vez que a indústria possui fator multiplicador. Em setembro o setor empregava diretamente mais de 180 mil trabalhadores diretamente.

Por fim, Brumer alertou que 2021 pode não repetir o cenário do ano passado em relação a preços, podendo ocasionar queda no faturamento. “Houve aumento substancial de preços no ano passado. Não acho que volte aos preços do início da pandemia, mas devem se manter menores do que no ano passado… mas não substancialmente menores. Não dá para prever, mas o crescimento de 2020 foi muito forte e pode ter alguma redução neste exercício”, afirmou.

Fonte: Diário do Comércio

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