Em agosto, no crédito para pessoas físicas, as concessões subiram 2,1%, para R$ 153,3 bilhões
Em meio ao processo de reabertura da economia, na esteira da pandemia do novo coronavírus, as concessões dos bancos no crédito livre subiram 0,5% em agosto ante julho, para R$ 287,9 bilhões, informou nesta segunda-feira, 28, o Banco Central (BC). No ano, o avanço acumulado foi de 2,7% e, nos 12 meses até agosto, de 8,0%.
Estes dados, apresentados agora pelo BC, não levam em conta ajustes sazonais. Os números são influenciados pelos efeitos da pandemia, que colocou em isolamento social boa parte da população e reduziu a atividade das empresas, em especial nos meses de março e abril. Em meio à carência de recursos, famílias e empresas aumentaram a demanda por algumas linhas de crédito nos bancos. O BC não divulga dados sobre o quanto a procura por crédito aumentou – mas apenas sobre o quanto foi concedido.
Em agosto, no crédito para pessoas físicas, as concessões subiram 2,1%, para R$ 153,3 bilhões. Em 12 meses até agosto, há alta de 3,0%.
Já no caso de pessoas jurídicas, as concessões recuaram 1,3% em agosto ante julho, para R$ 134,6 bilhões. Em 12 meses até agosto, o avanço é de 13,6%.
A taxa média de juros no crédito livre caiu de 27,3% ao ano em julho para 26,7% ao ano em agosto. Em agosto de 2019, essa taxa estava em 37,2% ao ano.
Para as pessoas físicas, a taxa média de juros no crédito livre passou de 39,9% para 39,0% ao ano de julho para agosto, enquanto para as pessoas jurídicas ficou estável em 12,4% ao ano.
Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, destaque para o cheque especial, cuja taxa passou de 111,7% ao ano para 112,6% ao ano de julho para agosto. No crédito pessoal, a taxa passou de 32,6% para 30,0% ao ano.
Desde julho de 2018, os bancos estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200. Desde 6 de janeiro de 2020, o BC aplica uma limitação dos juros do cheque especial em 8% ao ano (151,82% ao ano).
Além da limitação do juro, os dados agora divulgados refletem uma revisão realizada na série histórica do BC. De acordo com a autarquia, os números passaram a considerar o fato de alguns bancos cobrarem juro no cheque especial apenas após dez dias de atraso no pagamento da fatura. Antes, era considerado todo o período de atraso. Esta mudança fez com que o nível do juro no cheque especial, na nova série histórica, fosse menor em anos anteriores.
Os dados divulgados pelo Banco Central mostraram ainda que, para aquisição de veículos, os juros permaneceram em 18,9% ao ano em agosto.
A taxa média de juros no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), foi de 19,2% ao ano em julho para 18,7% ao ano em agosto. Em agosto de 2019, estava em 24,8%.
Já o Indicador de Custo de Crédito (ICC) caiu 0,4 ponto porcentual em agosto ante julho, aos 17,9% ao ano. O porcentual reflete o volume de juros pagos, em reais, por consumidores e empresas no mês, considerando todo o estoque de operações, dividido pelo próprio estoque. Na prática, o indicador reflete a taxa de juros média efetivamente paga pelo brasileiro nas operações de crédito contratadas no passado e ainda em andamento.
Estoque total de crédito
O estoque total de operações de crédito do sistema financeiro subiu 1,9% agosto ante julho, para R$ 3,736 trilhões, informou o BC. Em 12 meses, houve alta de 12,1%.
Em agosto ante julho, houve alta de 1,5% no estoque para pessoas físicas e alta de 2,4% para pessoas jurídicas. De acordo com o BC, o estoque de crédito livre também avançou 1,9% em agosto, da mesma forma que o crédito direcionado apresentou alta de 1,9%.
No crédito livre, houve alta de 1,6% no saldo para pessoas físicas no mês passado. Para as empresas, o estoque avançou 2,2% no período.
O BC informou ainda que o total de operações de crédito em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) foi de 51,0% para 51,9% na passagem de julho para agosto.
As projeções do BC, atualizadas no Relatório Trimestral de Inflação (RTI) da semana passada, indicam expansão de 11,5% para o crédito total em 2020. A projeção para o crédito livre em 2020 é de alta de 12,5%. Já expectativa para o crédito direcionado é de elevação de 10,1%.
